0 Resenha: Outlander - Livro e Série

Ficção científica. História. História militar. Romance. Ação. Todos esses gêneros narrativos podem ser encontrados nessa história.

Outlander é uma série de livros iniciada em 1991, pela autora Diana Gabaldon, que recentemente foi transformada em série de TV, produzida pelo canal Starz.

Talvez você não tenha ouvidos falar de Outlander ainda, mas a primeira edição em Poruguês foi lançada no Brasil pela Rocco, em 2004 e, recentemente, com o anúncio da produção da série, os livros começaram a ser reeditados pela editora Saída de Emergência. 



É, eu sei, as capas não são incríveis... mas você conhece o ditado!

Um dos elementos que torna Outlander uma série ligeiramente obscura, ainda que milionária (25 milhões de livros vendidos aproximadamente), é justamente a sua multiplicidade de gêneros. Isso torna a vida do encarregado do marketing particularmente difícil. Diana Gabaldon conta que sua primeira editora dizia que o livro teria que ser vendido no boca-a-boca e até hoje as livrarias não sabem exatamente onde encaixar seus livros e acabam os colocando na seção de romances, por ser uma série sobre uma mulher que, bem, vive um romance. Mas eu estou com a Diana, apesar de romance ser uma parte importante da história, ela não é apenas um romance e eu estou aqui pra argumentar que esta é uma ótima história que deve ser lida  - ou assistida – o mais rápido possível!

Bem, Outlander é a história de como Claire Randall, uma ex-enfermeira de combate, poucos meses após o fim da II Guerra Mundial, em lua de mel com seu marido, na Escócia, volta no tempo e vai parar nas Highlands escocesas em 1743.

Respirou? Não captou? Tudo bem, é assim mesmo. Eu te dou mais detalhes.

Claire Randall teve uma vida incomum: ela nos conta, no livro, que cresceu em meio a sítios arqueológicos nos mais diferentes países, sendo criada por seu tio (você adivinhou) arqueólogo após a morte de seus pais em um acidente de carro.

Além de sítios arqueológicos, Claire cresceu, naturalmente, em meio a acadêmicos e é justamente um destes, Frank Randall, que chama a atenção da jovem. Claire Beauchamp, se torna Claire Randall ao se casar com Frank. Quando ela imagina que irá iniciar uma vida comum de inglesa casada estoura a II Guerra Mundial fazendo tudo ficar de pernas pro ar. Claire é recrutada para ser enfermeira na linha de frente e Frank é recrutado como oficial de inteligência do exército de sua Majestade, Rei George VI, do Reino Unido.


















Sete anos se passam e, ao fim da Guerra, em 1945, Claire e Frank se reúnem e começam a dar os passos para (re)começar suas vidas juntos. Sete anos e as experiências de uma das mais violentas guerras já vistas pela humanidade está entre o casal e precisam ser superadas.

Para o (re)começo, Claire e Frank escolhem a Escócia, país onde se casaram, para uma segunda lua-de-mel; mais precisamente nas highlands escocesas, um lugar de muita natureza, pequens vilarejos, grandes histórias e enraizadas mitologias.

Frank, como um historiador de férias, a poucas semanas de assumir sua posição em Oxford, aproveita a viagem para estudar genealogia, a sua, em especial. Ele busca informações sobre um antepassado, capitão do exército britânico, estacionado na Escócia, no século XVIII. Tal ancestral era conhecido na região como Black Jack Randall por sua reprovável conduta durante os seus anos ali.

Enquanto isso, Claire, uma jovem de 27 anos, com pouca experiência em coisas ordinárias, busca novos interesses. Sua fixação é botânica, especialmente o uso medicinal das plantas.

Em poucos dias na cidade de Inverness, ambos adquirem experiências agradáveis e recompensadoras em seus campos de interesse.



























É durante um de seus passeios para coletar plantas que Claire experiencia em primeira mão a mitologia escocesa ao entrar no círculo de pedras conhecido como Craig na Dun.



























Atraída por um estranho e incessante zumbido, toca na pedra central e, com isso, volta no tempo, para as Highlands escocesas, em 1743.

E então sua história começa.

Até aqui, eu lhe contei as primeiras vinte páginas do livro.

Sim, este é um livro extenso. As versões impressas têm entre 600 e 700 páginas aproximadamente.

Apesar do tamanho e da quantidade de voltas e viravoltas que vemos no primeiro livro, a história é bastante envolvente e, a partir de certo momento, é impossível largar o livro de tanta ação e emoção acontecendo juntas.

O que me atraiu para história, na verdade, foi o anúncio de que a série de TV seria lançada. Eu nunca tinha ouvido falar de Outlander, mas após dois episódios, eu soube que eu precisava ler o livro antes de continuar com a série. E foi uma excelente decisão! A série enriquece visualmente uma narrativa bastante rica por si só.

Fiquei interessada na ideia de uma história sobre uma mulher independente do século XX voltando no tempo dois séculos. A possibilidade de aprender mais sobre a Escócia e sua história também foi um fator determinante de atração.

Então, entrei de cabeça na história que leva Claire, uma inglesa, a ter que se virar para sobreviver num local e época cheios de tensão entre Escócia e Inglaterra.
A narrativa é ambiciosa e coloca Claire em contato direto com os temas de interesse de seu marido historiador, literalmente. Já no início de sua jornada, Claire encontra com o infame Black Jack Randall, quase enlouquece com a semelhança física entre ele e seu marido, e sofre na pele com o tipo de comportamento que deu ao homem sua reputação. Ela é então capturada por membros de um clã escocês e logo tem de lidar, como dito, não só com sua própria sobrevivência, mas também com os jogos políticos que permeavam a relação dos dois países àquela época que via um movimento revolucionário para colocação de um rei escocês no trono do Reino Unido.






Nesse meio tempo Claire é prisioneira, enfermeira, viajante, ela sofre, planeja sua escapada, desenvolve suas habilidades na medicina natural, faz amigos, participa de resgates e, inclusive, se casa... de novo?

Eu não acho que a história seja perfeita, inclusive tenho ressalvas com relação a diversos pontos da narrativa, mas me encantei pelos personagens criados por Diana Gabaldon. Talvez seu PhD em Psicologia tenha lhe ajudado a escrever personagens bastante reais, verossímeis e humanos.

Eu adoro a Claire, ela é uma personagem forte, admirável, excêntrica, heroica mas, o que me cativou foi o simples fato de que que ela. Não. É. Estúpida.




Sim, o simples fato de que ela é uma personagem, feminina, profundamente racional e que é capaz de usar seus conhecimentos e sua racionalidade pra se safar de uma situação completamente irracional, foi o que me pegou. Ela se vê numa situação inexplicável e, ao invés de gritar e correr e desmaiar ela observa, para, pensa, elabora uma explicação pra si mesma e uma mentira para seus captores até que ela consiga obter mais informações. Suas habilidades como enfermeira se mostram imediatamente necessárias e ela se utiliza delas tanto para se manter sã quanto para impressionar e se mostrar útil e indispensável.

Seu primeiro paciente é o jovem e misterioso Sr. McTavish, que mais tarde descobrimos não ser seu nome verdadeiro. McTavish é na verdade, Jamie Fraser, sobrinho dos chefes do clã Mackenzie – por quem Claire é capturada - que, aos 23 anos, já cumpriu tempo na prisão e é procurado pelo exército britânico por assassinar um guarda ao fugir da prisão. Ele afirma que a acusação é falsa.

Jamie, a princípio, parece o clichê do herói de um romance, e em certos aspectos ele é: extravagantemente bonito, forte, alto, ruivo, jovem, leal, inocente. Mas, além de Claire ser quem o salva, mais de uma vez, Jamie por si só é mais profundo do que sua aparência. O personagem se mostra inteligente, engraçado, irônico e também, muito racional e habilidoso.

A sua gentileza com Claire, em contraste com as suspeitas dos outros membros do clã, é o que lhes aproxima, a necessidade de proteger Claire do Capitão Black Jack Randall faz com que eles se casem, e as circunstancias os levam a formar uma sólida parceria.



De novo, existem elementos de clichê nessa relação, mas eles são suavizados pela escolha da autora de narrar capítulos e mais capítulos cujo propósito é basear a relação dos dois em fundações muito mais profundas do que simples atração física ou um amor inexplicável à primeira vista.





















A série de TV dá vida de maneira belíssima à Claire, Jamie e, principalmente, à Escócia. É uma expressão muito utilizada pelos produtores hoje em dia, mas a Escócia parece mesmo mais um dos personagens da trama de tão importante que o ambiente e sua peculiaridade são para a narrativa.


















Os atores escolhidos, para mim, parecem perfeitos. Não acredito que possa haver uma Claire mais adequada ou um Jaimie mais surpreendentemente parecido com a visão que, no livro, parecia idealizada e impossível de existir. Os outros personagens: os membros do clã, Frank Randall, Black Jack Randall, a irmã de Jamie, a misteriosa esposa do Juiz, Geilis Duncan, todos parecem ter saltado diretamente das páginas dos livros. Eu preciso fazer menção especial à atuação de Tobias Menzies que representa tanto Frank Randall quanto Jonathan “Black Jack” Randall e faz um trabalho tão brilhante que apesar de sabermos que é a mesma pessoa, e apesar dos dois personagens terem basicamente, o mesmo rosto, podemos jurar que eles são, de fato, pessoas diferentes.

A adaptação da história, como sempre, com cortes aqui e ali, me pareceu bastante consistente, mesmo com a divisão da primeira temporada em parte 1 e parte 2, a primeira lançada em 2014 e a segunda em 2015. No total, foram 16 episódios de belíssimo cenário, diálogos relevantes, atuações e entretenimento de qualidade. A série, como no livro, termina em um ótimo clima de suspense que deixa entrever a ambição narrativa da autora ao retirar Claire e Jamie da Escócia e colocá-los no olho do furacão da revolução Jacobita que pretende mudar radicalmente a cara do Reino Unido.

E se tudo isso não te convenceu de que Outlander é uma história que vale a pena acompanhar, fique sabendo que Diana Gabaldon e George R.R. Martin são superamigos. Vejam qualquer entrevista com eles e verão que até o jeito de falar e de gargalhar dos dois é parecido! Não sei bem porque isso recomendaria a história pra você.... mas, bem, é isso aí!











Os livros estão disponíveis em qualquer livraria, real ou virtual e a primeira parte da primeira temporada já está disponível – legalmente - no Brasil na Clarotv e na NET NOW.

Ficou interessado na história? Já leu? Tem algum personagem favorito?
Conta pra gente nos comentários.


Até a próxima!
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