0 Resenha - À procura de Audrey




‘Finding Audrey’ ou ‘À procura de Audrey’, título com o qual foi publicado no Brasil, é a mais recente obra da famosa Sophie Kinsella, conhecida pela série de livros cuja protagonista é uma consumidora compulsiva: Delírios de consumo de Becky Bloom.

O livro narra a vida de Audrey, uma menina britânica de 14 anos que passa por um quadro de depressão decorrente de um “surto psicológico” que acontece após um evento traumático causado por colegas de classe. Após o “acontecimento”, Audrey abandona a escola, só sai de casa para ir à terapia e, desde então, não consegue tirar os óculos escuros (ela não consegue fazer contato visual com ninguém além de seu irmão de apenas quatro anos, Felix).

O livro tem alguns pontos fortes, como por exemplo, o fato de fazer um breve retrato sobre várias fases diferentes da depressão. Não, a depressão não se resume apenas à tristeza como muita gente acredita. Ela pode se manisfestar em crises de ansiedade, desespero ou até de histeria. Outro ponto forte foi a visão da personagem sobre a própria doença e a “batalha” que ela trava com o próprio cérebro ao longo da história.

Já tem um tempo que tomei uma implicância muito grande com livros em que “o garoto/homem salva o dia” e esse livro tem um pouquinho disso. O melhor amigo de Frank, outro irmão de Audrey, passa a visitar a casa com frequência e eles acabam desenvolvendo uma relação de cumplicidade e juntos começam a desafiar os limites de Audrey, como forma de superar os problemas dela.

Eu fico muito decepcionada quando percebo que o livro que estou lendo vai nesse caminho e, sem dúvida, isso me deixou um pouquinho descrente na história como um todo.

Apesar disso, um ponto que adorei foi como a autora representou um tipo de problema que acho que é muito recorrente. Pessoas que erram e não sabem se desculpar. Acho que todo mundo já passou por situações em que as pessoas te disseram coisas cruéis e ofensivas e que quando elas te procuram pra “se desculpar”, você sabe que não é porque elas se arrependeram (porque elas continuam acreditando que fizeram aquilo pro seu bem). Essas pessoas dizem o que bem entendem e, em seguida, não conseguem conviver com a própria consciência e te usam pra fazer as pazes consigo mesmas e não com você.

O livro aborda de uma forma bem interessante esses relacionamentos nocivos e deixa a dica de que é melhor seguir em frente ao invés de tentar extrair qualquer coisa (mesmo que seja um pedido de desculpas) dessas relações.

Achei o livro interessante e bastante esclarecedor sobre os estágios, sintomas e mitos que cercam a depressão e achei que o assunto é tratado de forma bem leve (afinal é uma comédia), embora haja alguns momentos de angústia da personagem principal.

Recomendo o livro pra quem quer uma leitura rápida, reflexiva, mas sem muita complexidade.


Beijos!
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