0 BULLET JOURNAL: o guia definitivo



Foto de Buzzfeed.

“Como é possível sentir tanto amor por um objeto?”

Foi exatamente isso que a Bárbara, minha amiga, disse quando viu o meu bullet journal pela primeira vez. Pra quem, como nós, tem um certo apego com artigos de papelaria, é muito fácil perceber o quão gostoso/criativo pode ser fazer um bullet journal. No entanto, se você não compartilha de tamanha empolgação por... papel e canetas (hahaha!), mas precisa de um modo prático de organizar sua vida, sugiro que você não desista por aqui e dê uma chance a este método!

O bullet journal, que podemos traduzir para algo como “diário em tópicos” foi criado pelo Ryan Carroll. O bullet journal é uma mistura de calendário, agenda, bloco de notas, controle de hábitos, diário e o que mais você quiser e precisar. [Aqui, o Carroll dá uma entrevista bem legal sobre o desenvolvimento do método de bullet journal e sobre como as pessoas estão adaptando a proposta às suas realidades.] Embora seja superinteressante estudar e entender o método original sugerido pelo Carroll, em minha opinião, o real valor do bullet journal não está realmente no que o Carroll construiu, mas sim no que ele desconstruiu.

O que eu quero dizer com isso é que embora o Carroll ou qualquer outra pessoa que use um bulet journal possa te apresentar dezenas de formas eficientes de estruturar o seu bullet journal, só você (talvez depois de um tempinho de uso) vai saber reconhecer as formas que se adaptam melhor à sua rotina e às suas necessidades. Pra mim, toda a eficiência do bullet journal pode ser simplesmente resumida em uma palavra: versatilidade.

Eu sempre fui aquela pessoa que tinha MUITA COISA pra escrever porque: 1) a minha cabeça não para; e 2)  eu tenho uma memória muito confusa (em resumo: lembro de coisas inúteis, esqueço coisas úteis).















Foto de Little Study Spot.

Apesar disso, o ato de usar uma agenda nunca foi eficiente pra mim. Quantas vezes eu não comecei o ano empolgada com uma agenda linda e abandonei a pobre coitada em fevereiro? Milhares de vezes! A minha rotina não pede uma agenda. Meus compromissos que têm dias marcados não são tão frequentes assim para ocupar 365 páginas de agenda por ano. E os meus dias são desnivelados de forma que às vezes eu realizo 10 tarefas importantes em um único dia e passo 3 sem realizar nenhuma tarefa pré-determinada. Ou seja, eu tinha muito pra escrever, mas em páginas que estavam previamente designadas para outra função, ou seja, compromissos. Eu precisava anotar ideias, listas de compras, senhas, músicas e filmes que eu queria ver/ouvir, e isso ficava simplesmente perdido ali no meio porque a estrutura era ruim.

Hoje, nós vivemos em uma realidade na qual nosso maior problema não é a falta de informação, mas sim o excesso. O ritmo no qual somos atingidos pela informação é extremamente acelerado e não há mais aquela preocupação sobre como descobrir as coisas. Se você passa 10 minutos no Facebook, ou qualquer outra rede social, você já sai do aplicativo sabendo de umas 200 notícias (umas 50 repetidas) que você nem se esforçou pra encontrar. A informação está ali... exposta... empilhada... e nem vou entrar no mérito de questionar a qualidade com a qual essa informação é produzida ou apresentada. Isso é outra história! O importante aqui é entender que a maior dificuldade, hoje, não é encontrar informação, mas sim saber o que fazer com ela.

Em resumo: o cérebro não aguenta! Nós precisamos de ajuda para selecionar e canalizar essa quantidade absurda de conteúdo e a forma mais eficiente (e que pode ser também muito prazerosa) é o PAPEL. Às vezes, você pode usar um super-mega-blaster programa/aplicativo que vai ter mil opções e links e cores e imagens, mas é exatamente no papel (e nas formas que você mesmo constrói sobre ele) que habita aquele conforto de saber que ali o controle é todo seu. O bullet journal proporciona exatamente isso em termos de organização, pois ele é um espaço que, embora limitado, está totalmente a seu comando.



**Colocando a mão na massa**
























Foto de Bullet Journal

Como eu disse acima, o que é mais maravilhoso no bullet journal é que você pode (e deve!) moldá-lo às suas necessidades. No entanto, sempre é bom ter uma ajudinha ou alguma ideia pra dar aquele pontapé inicial. Vamos lá!

1ª dica: escolha um bom caderno e boas canetas
Ter uma boa ferramenta sempre colabora para o sucesso de qualquer tarefa. É importante pensar no que vai te ajudar mais na hora de selecionar o caderno ideal. Pra mim, foram importantes as seguintes categorias:

- Tamanho: eu queria um caderno pequeno que eu pudesse levar facilmente em quase todas as minhas bolsas. Embora fácil de carregar, uma desvantagem do caderno pequeno é que ele não é tão confortável para escrever, mas isso é um problema que superei com algumas semanas de uso. Se você não pretende transportar muito o seu BJ, pode optar por um caderno maior sem nenhum problema.

- Qualidade: eu queria também um caderno que fosse durável e resistente. E também que tivesse páginas com papel de qualidade que não vazasse nem manchasse facilmente com a tinta da caneta. Por isso, optei por um Moleskine. Ele é bastante caro e embora tenha uma qualidade absurda, pode ser substituído por outras marcas se você não tem muito apego com esse tipo de objeto. A Cícero, por exemplo, tem ótimos cadernos que já usei e recomendo fortemente. [só pra avisar, isso não é um post publicitário, ok?!]

- Tipo de página: O tipo de página é uma característica muito importante pra quem está escolhendo um caderno para bullet journal, então fique atento: geralmente, as marcas disponibilizam cadernos com 4 tipos diferentes de páginas: em branco, pautadas, pontilhadas e quadriculadas. A principal questão que você tem que levar em conta é o quanto esses formatos vão te ajudar na hora de “desenhar” as estruturas do seu bullet journal. Na minha visão, as páginas em branco e pautadas são as menos eficientes. A pautada porque é muito engessada, eficiente apenas para texto corrido, o que não é o caso do bullet journal, e a página branca porque você vai ficar mais dependente de ter sempre uma régua para não acabar com linhas tortas. Os formatos pontilhado e quadriculado são ideais para o bullet journal porque eles permitem variadas organizações. Eu escolhi o quadriculado porque ele já tem linhas verticais e horizontais e se eu quiser fazer tabelas, é só passar a caneta por cima delas.






Foto de Pinterest.


- Sobre as canetas: Escolha uma (ou várias canetas) que te proporcionem uma escrita confortável. Esta é uma escolha bem pessoal. Eu gosto de caneta com pota bem fina e queria variar as cores, então tenho usado canetas Stabilo. Teste antes em uma folha no fim do caderno pra ter certeza de que sua caneta não mancha e nem vaza para a parte de trás do papel.

2ª dica: comece pelo índice
Reflita por algum tempo sobre o tipo de conteúdo que você quer documentar no seu bullet journal. Digamos que você precisa ter uma visão mais clara sobre o presente, o passado e o futuro (essa é a principal função do bullet journal!) sobre itens como: compromissos, contas a pagar e exercícios físicos. Ou, suas prioridades podem ser, por exemplo: trabalhos da faculdade, lista de livros a comprar e exames médicos.

Esses são apenas alguns exemplos. Você pode começar o seu bullet journal com um único item no índice ou com cinco, dez, vinte, quantos você quiser. O método de Carroll consiste em numerar todas as páginas do seu caderno e sinalizar no índice quais são as páginas correspondentes àquele tópico. Por exemplo:

- Compromissos; pp. 1-15
- Contas a pagar; pp. 16-20
- Exercícios; pp. 21-35

Quando preencher todas as páginas do item Compromissos, reserve mais algumas páginas após o último item (no caso, Exercícios) e sinalize novamente no índice:


- Compromissos; pp. 1-15; 36-50
- Contas a pagar; pp. 16-20; 51-65
- Exercícios; pp. 21-35; 66-80

Assim, você saberá que têm informações referentes ao item Compromissos da página 1 à página 15 e também da página 36 à página 50 e assim por diante. Por isso, não se preocupe em definir o número exato de páginas que vai precisar, porque você sempre pode "reabrir"/"recomeçar" uma seção cujo número de páginas já tenha se esgotado.






























Foto de Boho Berry.

No meu caso, achei a tarefa de numerar páginas um tanto chata e preferi fazer um esquema de cores como na foto acima. Na frente de cada item, desenhei um quadrinho (cada item pintado de cores diferentes), então as páginas referentes a este item têm o canto inferior externo pintado da cor correspondente. Por exemplo, na frente do meu item Controle Mensal tem um quadrinho verde-limão e todas as páginas com a cantoneira pintada de verde-limão correspondem a este item.

3ª dica: ensaie alguns formatos
Antes de escolher como organizar as informações nas suas páginas, ensaie à lápis (ou com caneta mesmo em algum papel solto) alguns formatos. O tipo de conteúdo que você quer estruturar nesta seção fica melhor em lista? em gráfico? em tabela? A melhor maneira de saber é fazer um rascunho.

4ª dica: não tente reinventar a roda
Uma vez que você já esteja habituada/habituado a usar o bullet journal, dezenas de ideias vão surgir e você vai descobrir novos usos a cada dia. Até lá, é super justo “roubar ideias” de outras pessoas! O Pinterest, o Instagram, o Youtube e o Buzzfeed são ótimas fontes para encontrar modelos para BJ.


Apenas admire estas belas ideias:


** Para controlar seus hábitos e tarefas**







































Foto de Boho Berry.

Essa foto acima reproduz mais ou menos o modelo que usei no meu item Controle Mensal. Na primeira página, coloquei o calendário com os compromissos que têm dia e hora definidos. Na segunda página, posicionei as tarefas e objetivos que podem ser realizados de maneira flexível, sem data nem hora pré-definidos. O que não é realizado em um mês, entra na lista do mês seguinte.






Uma foto publicada por HeyThisisLya~🌸 (@heythisislya) em




Uma foto publicada por Helle Sangfugl (@sangfuglen) em


**Para não esquecer sonhos e projetos**


Foto de Secret Diary of a Med Student.



**Para trocar letras por símbolos**





5ª dica: tente não pensar e nem se preocupar muito
Estas fotos são incríveis e, sem dúvida, todos nós gostaríamos de ter um bullet journal perfeito e incrivelmente fotogênico. Entretanto, vivemos uma vida muito agitada ou nem temos tanto talento para reproduzir com perfeição estas obras de arte. Isso NÃO deve ser uma preocupação pra você! É absolutamente normal errar, ou mudar de ideia no meio do caminho. Eu mesma tenho palavra que começa em preto e termina em vermelho simplesmente porque a tinta da caneta acabou. Essa é a beleza da VIDA REAL! Não tenha medo de arriscar e testar novos formatos, cores, caligrafias... o céu é o limite. E não se esqueça que o bullet journal existe para facilitar sua vida, é ele que tem que ser bom pra você e não você que tem que ser bom pra ele (hahaha... grande filosofia!). Por isso, tira da sua cabeça essa pressão toda e apenas faça! Se ficar feio, paciência. Se ficar impossível de usar, tem sempre outra página. Vida que segue!

6ª dica: mescle obrigação e diversão
A grande sacada do bullet journal é que ele te permite armazenar e acessar as informações que são importantes pra você de maneira rápida e organizada. No entanto, essas informações não precisam se restringir a obrigações e tarefas chatas. Crie algumas seções divertidas que façam você relaxar por alguns minutos quando decidir preenchê-las. As minhas seções favoritas no meu bullet journal são Aprendizados (onde eu escrevo algumas reflexões que me ocorreram recentemente, frases que me motivam, etc.), Desafios (onde eu faço desafios pra mim mesma como por exemplo “100 dias sem tomar Coca-cola”. No final do período passado no mestrado, eu tinha três trabalhos relativamente grandes pra fazer em menos de um mês e controlei os prazos em forma de desafio, que eu chamei de “três artigos em menos de um mês”) e Wishlist (onde eu escrevo meus sonhos não-materiais e objetivos que quero realizar divididos em três categorias “Quero fazer em 2016”, “Quero fazer antes dos 30” e “Quero fazer na vida”).

Uau! Eu sei que depois de toda essa informação, parece muita coisa a se pensar, mas a verdade é que fazer um bullet journal é uma atividade muito muito muito apaixonante e, claro, muito viciante. Depois de um tempo, você passa a se enxergar ali e o caderninho passa a se tornar um registro de todas as áreas da sua vida. Para resumir todas as dicas em apenas uma, eu diria: comece de forma simples e despretensiosa e vá se aprimorando aos poucos. 

Espero que você tenha gostado destas dicas! E, se gostou, não deixe de compartilhar com suas amigas e amigos. Se quer ver mais posts relacionados à bullet journal, papelaria, etc, não se esqueça de deixar suas sugestões e pedidos nos comentários!


Beijos!
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